Agora, minhas impressões sobre a exposição. A arte como representação do dívino, do imaterial é algo muito poderoso. A arte é sempre poderosa quando vem realmente do fundo de nós, daquele lugar sem razão. Quando fala sobre um tema também, digamos, doido, como pensar em Deus, é explosiva. A arte bizantina tem uma mística especial ao meu ver. A gente não decodifica, mas tem alguma coisa que toca. Há muito simbolismo nas cores e na forma. Foi uma felicidade ver esta exposição. O Petit Palais já tem uma coleção grande de icones. Além disso, o fato destas obras terem vindo do Monte Athos, de um lugar isolado no espaço e cristalizado no tempo, confere um ela maior. É a mística. O invisível que nos toca.
Organizar o pensamento, dividir as emoções, flashes do cotidiano e quem sabe, um dia, passando para o papel.
sábado, 4 de julho de 2009
Monte Athos
Hoje fui ver a exposição no Petit Palais, Le Mont Athos. Esperava que estivesse tranquilo; quem tem interesse em monges? Arte bizantina? 9 euros é comprometimento. E pasmem: tive que esperar 10 minutos para entrar. Parecia até a exposição do Picasso. Tudo bem, é um pouco de exagero. O Picasso e os mestres tinha uma espera de 2 horas. Mas a espera me surpreendeu. Entre as pessoas na fila; uma freira, muitas senhoras francesas que consomem cultura como a gente vai a praia, pais com filhos.. (pensei em levar minha próxima descendente, que está a caminho ...) Um detalhe bobo talvez, que me diz muito. O tamanho da fila. Diga-me em que fila estás e te direi quem és. (isso me lembra outra fila interessante; a padarias francesas!)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Teoria cristã e física quantica

Esbarrei num texto de Guigues o Cartuxo (? - 1188), prior da Grande Cartuxa Meditação 10 (trad. SC 163, p. 187) que tem tudo a ver com física quântica. A ideia de união entre os seres, está o tempo presente.
.. «A minha alma está unida a Ti, a Tua mão direita me sustenta» (Sl 62, 9). E São Paulo acrescenta: «Quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito» (1Cor 6, 17). Não apenas um só corpo, mas também um só espírito. Do espírito de Cristo, todo o Seu corpo vive; pelo corpo de Cristo, chegamos ao espírito de Cristo. Por conseguinte, permanece pela fé no corpo Cristo e um dia serás um só espírito com Ele. Pela fé, estás desde já unido ao Seu corpo; pela visão, também serás unido ao Seu espírito. Não é que no alto vejamos sem o corpo, mas os nossos corpos serão espirituais (1Cor 15, 44).
«Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia»: eis a união pela fé. E mais adiante pede: «que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça»: eis a união pela visão. Eis o modo de nos alimentarmos espiritualmente do corpo de Cristo: ter n'Ele uma fé pura, procurar sempre, através da meditação assídua, o conteúdo desta fé, encontrar o que procuramos pela inteligência, amar ardentemente o objecto da nossa descoberta, imitar na medida do possível Aquele que amamos; e, imitando-O, aderir a Ele constantemente para chegarmos à união eterna.
.. «A minha alma está unida a Ti, a Tua mão direita me sustenta» (Sl 62, 9). E São Paulo acrescenta: «Quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito» (1Cor 6, 17). Não apenas um só corpo, mas também um só espírito. Do espírito de Cristo, todo o Seu corpo vive; pelo corpo de Cristo, chegamos ao espírito de Cristo. Por conseguinte, permanece pela fé no corpo Cristo e um dia serás um só espírito com Ele. Pela fé, estás desde já unido ao Seu corpo; pela visão, também serás unido ao Seu espírito. Não é que no alto vejamos sem o corpo, mas os nossos corpos serão espirituais (1Cor 15, 44).
«Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia»: eis a união pela fé. E mais adiante pede: «que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça»: eis a união pela visão. Eis o modo de nos alimentarmos espiritualmente do corpo de Cristo: ter n'Ele uma fé pura, procurar sempre, através da meditação assídua, o conteúdo desta fé, encontrar o que procuramos pela inteligência, amar ardentemente o objecto da nossa descoberta, imitar na medida do possível Aquele que amamos; e, imitando-O, aderir a Ele constantemente para chegarmos à união eterna.
domingo, 15 de março de 2009
Giorgio de Chirico. Impressões da exposição

Um dia lindo em Paris, já com gosto de primavera; sol e 14 graus sobre o calcadão do Sena. Uma das exposições mais importantes do momento é Chirico no museu da cidade de Paris. Muitas das obras vieram de coleções particulares, principalmente da Italia.
Enquanto escrevo, pergunto-me o que guardei desta experiência. De cara é uma emoção o conjunto da obra de um artista por uma vida inteira. Obras do inicio do século XX, e de 70 anos depois.. a perspectiva do artista ao longo de sua vida, as diferentes abordagens, a metamorfose. Esta obra que escolhi para ilustrar é um retrato de Guillaume Apollinaire de 1914, sob a guarda do Beaubourg em Paris.
Outra coisa que me chamou atenção foi o tempa da metafísica. Da pra entender do que se trata? A primeira vista não. Coloco-me na categoria dos mortais. Fiquei me perguntando se aquelas obras de perspectiva exquisita e cores sem graça tem realmente algum valor artístico. Os retratos por outro lado falam sozinhos, em português claro e objetivo. Gosto.
Mais a frente, em outra sala, um quadro me lembrou minha bisavó, Bidó. Não sei porque, mas claro que ela estava em minha mente. pois foi um forte sonho esta noite. Mas duas figuras, parecidas, uma delas com cores decompostas.. como se uma fosse uma versão interna da outra.
Muitas de suas citações também me chamaram atenção. "Sobre a terra, há mais enigmas na sombra de um homem do que em todas as religiões do mundo". Fiquei intrigada em entender melhor o seu pensamento sobre o desconhecido. A pintura é um campo de descobrimento. Um mundo que se abre quando nos aprofundamos dentro de um quadro. Parece um mergulho em um universo interno.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Sobre o exercício de princípios
Um drama como o desta menina de 9 anos, estuprada pelo padastro, é uma realidade que fere à todos nós. A violência física e psicológica que esta criança sofreu são absurdas. O fato de o agressor ser uma pessoa da família ressalta a violenta na sua dimensão moral. Fere a dignidade mais essencial. Com ela, toda a família, toda a sociedade se sente atingida. E o drama se estende. A menina não só é violentada, mas engravida.
A decisão de optar pela vida da menina ou dos gêmeos é um drama em si. Não discutimos agora apenas o estupro, mas também um aborto. Um estupro é uma violência imediatamente condenável. A vitima é concreta. Um aborto, nem tanto. Se não vemos e ouvimos a vitima, devemos nos preocupar com os seus direitos?
Refletir sobre questões tão duras e ao mesmo tempo imateriais é um desafio para a nossa humanidade. O certo não é fácil de ser determinado quando nos deparamos com realidades tão chocantes. A família que tomou a decisão sobre o aborto o fez para proteger a menina agredida. Sua intenção é neste ponto, inquestionável. O detalhe que impede que seja indiscutível e justa a decisão tomada pelos médicos e pela família é a existência de duas outras crianças, também inocentes. De fato, não só inocentes, mas completamente indefesas. Elas não falam, não dividem suas emoções, não tem voz.
A sociedade moderna, convencida de sua imparcialidade racional, tende a desprezar o invisível. Ao mesmo tempo, acreditamos que a sabedoria se acumula ao longo da historia, que a experiência é base para a evolução. Seu contraponto é o antigo, o conservador, que julgamos imediatamente como “o errado”. Presumimos por exemplo que o século XX é superior ao XIII. Entretanto, terá Paulo Coelho se beneficiado de todo o conhecimento produzido nestes séculos desde Dante? Será um “O Alquimista” superior à uma “Divina Comedia”? Esta nossa presunção de superioridade histórica é um argumento para fazermos uma revisão de conceitos.
Nós cristãos, tocados pela tragédia desta família em Pernambuco, alimentamos nossa esperança em valores que atravessam o tempo há dois mil anos. E estes valores são simples. O Cristo se auto define como “o Caminho, a Verdade e a Vida”. O caminho é um percurso de erros e acertos, mas sempre com uma direção definida. A direção é a Verdade e a Vida. A Verdade é o fundamental, a realidade inteira e plena, não apenas o visível e o que mutável ao longo do tempo. A essência que gera. Este é nosso compromisso como cristãos. Podemos errar, pois nossa natureza humana é essa, errar e corrigir o erro. Mas não podemos estar em outro lugar se não aquele que defende a vida. Ai está a coerência do nosso caminho.
A decisão de optar pela vida da menina ou dos gêmeos é um drama em si. Não discutimos agora apenas o estupro, mas também um aborto. Um estupro é uma violência imediatamente condenável. A vitima é concreta. Um aborto, nem tanto. Se não vemos e ouvimos a vitima, devemos nos preocupar com os seus direitos?
Refletir sobre questões tão duras e ao mesmo tempo imateriais é um desafio para a nossa humanidade. O certo não é fácil de ser determinado quando nos deparamos com realidades tão chocantes. A família que tomou a decisão sobre o aborto o fez para proteger a menina agredida. Sua intenção é neste ponto, inquestionável. O detalhe que impede que seja indiscutível e justa a decisão tomada pelos médicos e pela família é a existência de duas outras crianças, também inocentes. De fato, não só inocentes, mas completamente indefesas. Elas não falam, não dividem suas emoções, não tem voz.
A sociedade moderna, convencida de sua imparcialidade racional, tende a desprezar o invisível. Ao mesmo tempo, acreditamos que a sabedoria se acumula ao longo da historia, que a experiência é base para a evolução. Seu contraponto é o antigo, o conservador, que julgamos imediatamente como “o errado”. Presumimos por exemplo que o século XX é superior ao XIII. Entretanto, terá Paulo Coelho se beneficiado de todo o conhecimento produzido nestes séculos desde Dante? Será um “O Alquimista” superior à uma “Divina Comedia”? Esta nossa presunção de superioridade histórica é um argumento para fazermos uma revisão de conceitos.
Nós cristãos, tocados pela tragédia desta família em Pernambuco, alimentamos nossa esperança em valores que atravessam o tempo há dois mil anos. E estes valores são simples. O Cristo se auto define como “o Caminho, a Verdade e a Vida”. O caminho é um percurso de erros e acertos, mas sempre com uma direção definida. A direção é a Verdade e a Vida. A Verdade é o fundamental, a realidade inteira e plena, não apenas o visível e o que mutável ao longo do tempo. A essência que gera. Este é nosso compromisso como cristãos. Podemos errar, pois nossa natureza humana é essa, errar e corrigir o erro. Mas não podemos estar em outro lugar se não aquele que defende a vida. Ai está a coerência do nosso caminho.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Procuramos uma razão maior
Encontrei hoje esta reflexão de Hilario, um padre do século IV em Poitiers. É daquelas coisas que a gente le e se diz, eu poderia ter escrito isso .. por isso, compartilho.
«Por que pede esta geração um sinal?»
Pai Santo, Deus Todo Poderoso [...], quando levanto para o Teu céu a fraca luz dos meus olhos, posso duvidar de que é o Teu céu? Quando contemplo o caminho das estrelas, o seu regresso no ciclo anual, quando vejo as Plêiades, a Ursa Menor e a Estrela da Manhã e considero como cada uma brilha no lugar que lhe foi assinalado, compreendo, ó Deus, que Tu estás aí, nesses astros que eu não compreendo. Quando vejo «as belas ondas do mar» (Sl 92,4), não compreendo a origem dessas águas, não compreendo sequer o que põe em movimento os seus fluxos e refluxos regulares, e no entanto, creio que existe uma causa – certamente impenetrável para mim – para estas realidades que ignoro, e também aí eu pressinto a Tua presença. Se volto o meu espírito para a terra, que, pelo dinamismo das forças escondidas, decompõe todas as sementes que acolheu no seu seio, as faz germinar lentamente e as multiplica, e depois lhes permite crescerem, não encontro nada que possa compreender com a minha inteligência; mas esta ignorância ajuda-me a discernir-Te a Ti, porque, se não conheço a natureza posta ao meu serviço, reencontro-Te, no entanto, pelo facto de ela estar lá para minha utilização.Se me volto para mim, a experiência diz-me que não me conheço a mim próprio e admiro-Te tanto mais quanto sou para mim um desconhecido. De facto, mesmo que não os possa compreender, tenho a experiência dos movimentos do meu espírito que julga, destas operações, da sua vida, e esta experiência a Ti a devo, a Ti que me deste a partilhar esta natureza sensível que faz a minha felicidade, mesmo que a sua origem esteja para além da minha inteligência. Eu não me conheço a mim próprio, mas dentro de mim encontro-Te e, ao encontrar-Te, adoro-Te.
Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Hilário (v. 315-367), Bispo de Poitiers e Doutor da Igreja A Santíssima Trindade, livro 12, 52-53 (trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, Mediaspaul 1988, t. 1, p. 19)
«Por que pede esta geração um sinal?»
Pai Santo, Deus Todo Poderoso [...], quando levanto para o Teu céu a fraca luz dos meus olhos, posso duvidar de que é o Teu céu? Quando contemplo o caminho das estrelas, o seu regresso no ciclo anual, quando vejo as Plêiades, a Ursa Menor e a Estrela da Manhã e considero como cada uma brilha no lugar que lhe foi assinalado, compreendo, ó Deus, que Tu estás aí, nesses astros que eu não compreendo. Quando vejo «as belas ondas do mar» (Sl 92,4), não compreendo a origem dessas águas, não compreendo sequer o que põe em movimento os seus fluxos e refluxos regulares, e no entanto, creio que existe uma causa – certamente impenetrável para mim – para estas realidades que ignoro, e também aí eu pressinto a Tua presença. Se volto o meu espírito para a terra, que, pelo dinamismo das forças escondidas, decompõe todas as sementes que acolheu no seu seio, as faz germinar lentamente e as multiplica, e depois lhes permite crescerem, não encontro nada que possa compreender com a minha inteligência; mas esta ignorância ajuda-me a discernir-Te a Ti, porque, se não conheço a natureza posta ao meu serviço, reencontro-Te, no entanto, pelo facto de ela estar lá para minha utilização.Se me volto para mim, a experiência diz-me que não me conheço a mim próprio e admiro-Te tanto mais quanto sou para mim um desconhecido. De facto, mesmo que não os possa compreender, tenho a experiência dos movimentos do meu espírito que julga, destas operações, da sua vida, e esta experiência a Ti a devo, a Ti que me deste a partilhar esta natureza sensível que faz a minha felicidade, mesmo que a sua origem esteja para além da minha inteligência. Eu não me conheço a mim próprio, mas dentro de mim encontro-Te e, ao encontrar-Te, adoro-Te.
Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Hilário (v. 315-367), Bispo de Poitiers e Doutor da Igreja A Santíssima Trindade, livro 12, 52-53 (trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, Mediaspaul 1988, t. 1, p. 19)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Art Nouveau ao estilo alemão em Darmstadt
Minhas impressões de Darmstadt? Não tinha grandes expectativas e fui surpreendida muito positivamente. Uma pequena cidade alemão nos arredores de Frankfurt, destruida quase que totalmente durante a guerra. Por sorte, ficou de pé uma parte especial da cidade. Pois em 1899, o Grand Duque Ernst Ludwig de Hesse fundou uma colonia de artistas em Mathildenhöhe. Eram 7 "Jugendstil" * vivendo e trabalhando em conjunto; uma pequena sociedade de artistas. . A primeira exibição data de 1901 e se chamava "Um documento da arte alemã". Estava fundada a reputação da cidade como centro de Art Nouveau na Europa. As casas onde eles moravam ainda estão de pé e o pequeno museu que contém as peças maravilhosas de se apreciar.* Segundo a Wikepedia ... "O termo "Jugendstil" teve origem em 1896, com publicação da revista semanária "Jugend", a palavra significa "jovem", fundada por Otto Eckmann. Esse termo está intimamente ligado ao vocabulário germânico do design gráfico, vindo da tradição de impressão e gravura germânica, estilo com um traço bastante gráfico no desenho, bem diferente do estilo naturalistico.
Uma característica importante do Jugendstil foi o uso da tipografia, especialmente na relação entre imagem pictórica e letra, muito presente em capas de publicações, cartazes e propaganda em geral. Os designers gráficos do Jugendstil usavam tipos criados para harmonizar com as imagens pictóricas. No entanto, muitas das famílias tipográficas do Jugendstil eram pouco legíveis. "
domingo, 1 de fevereiro de 2009
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