quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vezelay e o tempo

Parece que o lugar e o tempo tem algum parentesco, houvi dizer. A ciência e a poesia poderiam também se relacionar. Mas primeiro o lugar e o tempo. Vezelay aparece ao lado como a vi as 7 horas da manhã, em pleno sábado. Mística não? Quase uma imagem encomendada para ser cenário. Uma cidade medieval, cheia de simbologia, primeiro mosteiro franciscano na França, caminho para Santiago de Compostela. A basílica, no solsticio de verão tem um caminho de luz que leva ao altar. Matemática, 5 compassos no portal romanico. Tudo parece estar interligado ao cosmos, uma janela aberta como um ícone. Neste contexto, fui introduzida a Gertrud von le Fort. Uma relação com Edith Stein, mulheres do mesmo tempo, do mesmo lugar. Ambas revolucionarias, arrojadas, de pensar forte. Vivendo profundamente através do sentimento e da procura da verdade. Incrível aventura de fim de semana, entre laudes, missas e conferências.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Interessante a linha da vida


O que posso dizer? Uma menina faceira, cheia de vida! Cabelo bem pretinho, uma pele branquinha, 4,080 kgs e 51 cms. Minha avó de cabelos brancos olha calma. Minha mãe tão emocionada ao me abraçar expressa o que também sinto. Como é fantástico que uma menina de cabelo pretinho, pele branquinha 3,750 kgs e 51 cms em 1982 seja a mãe da Beatriz? Ver nossa filha ser mãe é uma experiência. Aquela menina partilha agora conosco uma visão do mundo ao seu redor. A mãe debutante entende o misterio. Seu olhar para o infinito é concreto. Suas ações tem um peso sobre alguém que a desarma totalmente. Parar de fumar, não beber; tudo ficou facil porque tem um sentido. E esta linha que sentimos passar por nós, celebramos no nosso íntimo. Cada uma com uma visão particular. Menos a Beatriz, claro. Ela tem o privilegio de ser o foco da nossa atenção, passar um periodo achando que nada vai mudar a certeza que tem dentro de si.. até que outra menina de cabelo pretinho lhe traga uma perspectiva diferente.

sábado, 10 de outubro de 2009

Parabéns para o esforço da Paz

O prêmio Nobel da paz dado à Barack Obama dividiu opiniões. Muitos acharam precipitado premiar o presidente americano. Ao meu ver, Obama fez algo corajoso ao rapidamente romper com a cultura da inimizade. A atitude de conciliação e humildade não é uma coisa simples ou banal. Não podemos menosprezar o seu efeito. Certamente outras grandes personalidades como João Paulo II e Gandhi mereceriam reconhecimento por um trabalho muito mais longo e profundo. Mas uma negligencia não precisa impor a medida de todas as premiações. A situação de instabilidade geo-política que vivemos nos últimos anos era (e é em certa medida) altamente explosiva. A postura política americana da o tom. Bush foi a quinta essência da arrogancia, uma atitude provocadora que exarcerbou ainda mais os riscos. Um EUA que busca a paz é muito bem-vindo. Ao deixar de cutucar o leão com vara curta, ele tira da posição de vítima o seu agressor. Talvez o premio Nobel esteja antecipando um feito remarcável que poderá ser melhor admirado com a perspectiva histórica que os anos trarão. Mas certamente, seu efeito é hoje não apenas de reconhecimento, mas também de estímulo para uma atitude ousada de um líder em afirmar os valores da paz.

domingo, 4 de outubro de 2009

Niterói agora é chic

Dia 08 é dia do lançamento do primeiro Guia Chic, de Anita Santoro e Rosangela Oliveira. Segundo minha querida amiga Anita, vai ser "uma noite que além de auspiciosa em termos celestes,"... tem o toque de Haroldo Enéas, o produtor do encontro, "no belo e democrático Solar do Jambeiro." (Bom, fecho aqui minha aparição de colunista social.. um pequeno flash de Ibrahim Sued.. ).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Celebrando Hildegard von Bingen

Hildegard of Bingen(1098-1179), me impressiona pela combinação de misticismo, arte, política e ciência. Na idade média, conventos eram como as universidades de hoje, um espaço para a abstração. A diferença talvez é que hoje, separamos o intelectual do espiritual. Verdade que os conventos (e as universidades) também são espaços de poder. No bom e no mal sentido. Pode ser no conceito de poder personificado que é Deus. Pode ser o exercício do poder humano em varias formas; disciplina, opressão, e mesmo o poder implícito na vaidade, tão visível na vida acadêmica dos nossos tempos. Tudo pode ser expressão de poder. Bom, isto foi só uma pequena digressão um pouco fora do tema. De qualquer forma, ser religiosa significava no século XII que você se dedicava as atividades mais nobres do ser humano, intelectual e espiritual. Assim como Tereza de Avila, Hildegard era de uma familia rica, poderia ter se casado e vivido com bastante conforto. Também como Tereza, foi ativa na igreja, influenciando poderosos e propondo mudanças. Correspondia-se com bispos, papas e reis. Escreveu sobre botânica e medicina, compos música e uma peça. Acima de tudo, experimentou muitos baratos da mente e do espírito (o que na época se chamava mística) e o mais incrível... não precisou de um baseado pra isso.

E por tabela, celebro com Hildegard, meu ano novo... (meu aniversário que foi 7 dias antes do seu, mas quem se importa?)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A racionalidade debate?

De uma conversa com minha filha Raquel, debatendo religião e novelas, deixo esta pequena reflexão no dia de hoje. Mundo interessante, onde vivemos impregnados de tanta certeza. Eu penso estar certa, ela também. No fundo, a nossa humanidade deveria nos remeter a humildade, a certitude apenas da limitação do nosso entendimento. Célebre e facil de ser citado, Sócrates já reconhecia: "só sei que nada sei". Mas estamos cheias de nós mesmas .. e falo isso deixando de lado os nossos argumentos. O que seria alienante: a religião ou a novela? Como sou parte nesta celeuma, deixo aberta a questão. Mas permito-me concluir citando uma reflexão interessante de um padre alemão, que falou no domingo em Aosta. Ele faz um paralelo entre o poder e a misericordia. A certeza e a racionalidade são limitadas mas a ideia de "Deus todo-poderoso e (ao mesmo tempo) misericordioso é para mim um desafio instigante. Nós humanos limitados e cheios de si... Deus o poder em pessoa e misericordioso...
".. Uma prece romana, unida ao texto do livro da Sabedoria, diz: "Deus, mostrai-nos a vossa omnipotência no perdão e na misericórdia". O ápice do poder de Deus é a misericórdia, o perdão. No nosso hodierno conceito mundial de poder, pensamos em alguém que possui grandes propriedades, que em economia tem algo a dizer, que dispõe de capital para influir no mundo do mercado. Pensamos em alguém que dispõe de poder militar, que pode ameaçar. A pergunta de Stalin. "Quantas divisões tem o Papa?" ainda caracteriza a ideia média do poder. Tem poder quem pode ser perigoso, quem pode ameaçar, quem pode destruir, quem tem nas mãos muitas coisas do mundo. Mas a Revelação diz-nos: "Não é assim"; o verdadeiro poder é o poder da graça e da misericórdia. Na misericórdia Deus demonstra o verdadeiro poder." Joseph Ratzinger www.zenit.org

sábado, 4 de julho de 2009

Monte Athos

Hoje fui ver a exposição no Petit Palais, Le Mont Athos. Esperava que estivesse tranquilo; quem tem interesse em monges? Arte bizantina? 9 euros é comprometimento. E pasmem: tive que esperar 10 minutos para entrar. Parecia até a exposição do Picasso. Tudo bem, é um pouco de exagero. O Picasso e os mestres tinha uma espera de 2 horas. Mas a espera me surpreendeu. Entre as pessoas na fila; uma freira, muitas senhoras francesas que consomem cultura como a gente vai a praia, pais com filhos.. (pensei em levar minha próxima descendente, que está a caminho ...) Um detalhe bobo talvez, que me diz muito. O tamanho da fila. Diga-me em que fila estás e te direi quem és. (isso me lembra outra fila interessante; a padarias francesas!)
Agora, minhas impressões sobre a exposição. A arte como representação do dívino, do imaterial é algo muito poderoso. A arte é sempre poderosa quando vem realmente do fundo de nós, daquele lugar sem razão. Quando fala sobre um tema também, digamos, doido, como pensar em Deus, é explosiva. A arte bizantina tem uma mística especial ao meu ver. A gente não decodifica, mas tem alguma coisa que toca. Há muito simbolismo nas cores e na forma. Foi uma felicidade ver esta exposição. O Petit Palais já tem uma coleção grande de icones. Além disso, o fato destas obras terem vindo do Monte Athos, de um lugar isolado no espaço e cristalizado no tempo, confere um ela maior. É a mística. O invisível que nos toca.