sábado, 29 de janeiro de 2011

Agostinho sobre a fé

Passei um bom periodo sem brindar "ao pensar" mas hoje, depois de ler um lindo texto sobre a fé de Agostinho de Hipona, me senti obrigada a registra-lo. Como é moderna sua linguagem .. um homem do Imperio Romano do século IV! 
E sobre a fé, ajuto uma outra citação, de Paulo numa carta aos Hebreus: "Deus não nos criou com um espírito de medo, mas um espírito de força, amor e razão. " A fé exige força, determinação. O amor, nos inspira a caminhar para o que é certo. E a razão.. a razão é um dom que busca a conciliação. Por que não exercita-la? 

Comentário ao Evangelho do dia feito por 
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
Discursos sobre os salmos, PS 54,10; CCL 39, 664
«Ele falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: 'Cala-te'»
Estás no mar e surge uma tempestade. Não te resta senão gritar: «Salva-me, Senhor!» (Mt 14, 30) Ele estende-te a mão, O que anda sobre as ondas sem temor, que te remove o medo, que assenta n'Ele próprio a tua segurança, que te fala ao coração e te diz: «Pensa no que já suportei. Sofres por causa de um mau irmão, de um inimigo exterior? Não tive Eu também os meus? À minha volta, os que arreganhavam dos dentes, mais perto de Mim, o discípulo que Me traiu».


É verdade, a tempestade causa estragos. Mas Cristo salva-nos «da pequenez da alma e da tempestade» (Sl 54, 9 LXX). O teu navio está agitado? Talvez seja porque em ti Cristo dorme. Sobre um mar furioso, o barco onde navegavam os discípulos estava agitado, e contudo Cristo dormia. Por fim, chegou o momento em que estes homens perceberam que estava com eles o Senhor e Criador dos ventos. Aproximaram-se de Cristo, despertaram-nO: Cristo mandou calar os ventos e fez-se uma grande calma.


O teu coração perturba-se com razão, se esqueces em Quem crês; e o teu sofrimento torna-se insuportável se tudo o que Cristo sofreu por ti permanece distante do teu espírito. Se não pensas em Cristo, Ele dorme. Desperta Cristo, recorre à tua fé. Porque Cristo dorme em ti quando te esqueces da Sua Paixão; se a recordas, Cristo vela por ti. Quando tiveres meditado com todo o teu coração no que Cristo sofreu, não suportarás com mais perseverança as tuas aflições? E talvez te sintas, com alegria, levemente semelhante ao teu Rei no sofrimento. Sim, quando estes pensamentos começarem a consolar-te e a dar-te alegria, saberás que foi Cristo que Se levantou e que mandou calar os ventos; daí a calma que se faz em ti. «Espero, diz um salmo, Aquele que me salvará da pequenez de alma e da tempestade».  

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por que votar em Serra

Em apoio a candidatura de José Serra, replico aqui o editorial do Jornal o Estado de São Paulo de 27 de setembro de 2010


  "O MAL A EVITAR"
 "A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção. Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto. Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” "ESTE É O MAL A EVITAR"

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Padre Pio, vida mística não muito longe daqui

Hoje celebramos o dia de Padre Pio. Alguém do nosso tempo que viveu profundamente o olhar do homem para a perfeição! Recebeu os stigmas de Cristo e se compadecia ao celebrar a missa.. alguém tão perto de nós no tempo, tão diferente da nossa concepção do real. Encontra-lo nos permite alargar o que achamos possível e ter esperança na nossa própria capacidade de crescer e ser.

Vanitas Vanitatum, Ominia Vanita

The Vanita collection by Vladi Rapaport. Simply Amazing
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade
Ilusão das ilusões... 
Olha as palavras nos enganando também! Vaidade para o mundo hoje é amor proprio, é se cuidar.. Lembro de outra citação boa: "quem não se enfeita, a si, enjeita"! Então quando ouvimos: vaidade das vaidades.. à mim soa como uma recriminação à esta vaidade digamos, feminina, corrente.. mas não é nada disso. É só um alerta de que tudo no mundo é ilusório, uma lembrança de valores reais, permanentes. 


E além disso.. o texto original é quase uma poesia! 






Livro de Eclesiastes 1,2-11.

Ilusão das ilusões - disse Qohélet - ilusão das ilusões: tudo é ilusão. Que proveito pode tirar o homem de todo o esforço que faz debaixo do Sol? Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre. O Sol nasce e o Sol põe-se e visa o ponto donde volta a despontar. O vento vai em direcção ao sul, depois ruma ao norte; e gira, torna a girar e passa, e recomeça as suas idas e vindas. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche. Para onde sempre correram, continuam os rios a correr. Todas as palavras estão gastas, o homem não consegue já dizê-las. A vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve. Aquilo que foi é aquilo que será; aquilo que foi feito, há-de voltar a fazer-se: e nada há de novo debaixo do Sol! Se de alguma coisa alguém diz: «Eis aí algo de novo!», ela já existia nas eras que nos precederam. Não há memória das coisas antigas; e também não haverá memória do que há-de suceder depois; nem ficará disso memória entre aqueles que hão-de vir mais tarde. 

sábado, 31 de julho de 2010

Dia de Ignacio e de Raquel

Poderoso este dia 31 de julho! De um lado um grande místico, um idealista extremo em busca da perfeição ..Ignacio. De outra uma radiosa menina que vibra com o samba, leva a vida pulsando com seu coração em ritmo acelerado.. Raquel.
Quando ela nasceu lá nos idos do ano de 1982, eu senti sua vinda como uma benção de Deus. E ela sempre foi assim cheia de força, uma intuição poderosa, alternando meiguice e genio, quantas vezes botou a casa a baixo.. mas agora ela vive uma nova dimensão de entendimento. Com a chegada da Beatriz, aquela menina se redescobre ainda mais .. um novo nascimento se produz. E isso é que é o bonito da historia, que liga Ignacio a Raquel a todos nós. Vivendo em baixo do céu, tudo que é criado se relaciona e muito do que ainda não é conhecido se intui. 
Escrevo neste dia 31, com um sentimento quase de solenidade. Nada poderia refletir o amor que sinto por esta menina que me chegou às 6 horas da tarde e que foi para mim sempre um deslumbramento de alegria. um destaque na passarela! 
Enfim Ignacio e Raquel ressoem o salmo de hoje que fala de coragem, alegria e acima de tudo, ação de graças!
.. 
Louvarei, com cânticos, o nome de Deus; hei-de glorificá lo com acções de graças.
Que os humildes vejam isto e se alegrem, e os que buscam a Deus se encham de coragem. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Refletindo sobre Simeão, ortodoxo em Constantinopla

O monge oriental Simeão o Novo Teólogo, exerceu uma notável influência sobre a teologia e a espiritualidade do Oriente, em particular no que diz respeito à experiência da união mística com Deus, nos conta Bento XVI.
Historia

Simeão o Novo Teólogo nasceu em 949 na Galácia, em Paflagônia (Ásia Menor), de uma família nobre da província. Ainda jovem, ele se transferiu para Constantinopla para empreender os estudos e entrar para o serviço do imperador. 
A angustia o estimulou a buscar respostas. Seu testemunho sobre a experiência íntima, completamente pessoal, como caminho e encontro com Deus soa atual e concreta. 
A consciência como guia
Ele encontrou em Simeão o Piedoso (Eulabes), um simples monge do mosteiro Studion, em Constantinopla, um guia espiritual. Por seu intermedio conheceu o tratado “A lei espiritual”, de Marcos o Monge. Nesse texto, Simeão o Novo Teólogo encontrou um ensinamento que o marcou muito: 
“Se você busca a cura espiritual – leu nele – esteja atento à sua consciência. Tudo o que ela lhe disser, faça e assim você encontrará o que lhe é útil”.
Alguns passagens do seu Hino 30 que me chamaram atenção:
"Antes que brilhasse a luz divina, 
Não me conhecia a mim mesmo.. 

E a mim, que estava completamente exausto,
E tinha perdido as forças,
Pôs-me aos ombros (Lc 15, 5),
E levou-me para fora do meu inferno. [...]

Estranha maravilha: a minha carne, a minha alma e o meu corpo
Participam da glória divina.