Organizar o pensamento, dividir as emoções, flashes do cotidiano e quem sabe, um dia, passando para o papel.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Dia de Deza
Num dia lindo de primavera, com a graça da celebração de Pentecostes e o amparo de Nossa Senhora Auxiliadora, Deza transita de forma. Adormece para os limites do mundo e é recebida pelo infinito Amor. Divido com meus amigos este sentimento dilacerado entre dois mundos. Mas inspirada pela sua força, escuto em minha mente tangos cheios de energia, um exemplo de força me acompanha.. uma Paz me chega de longe, sempre fagueira, perfumada e genorosa.
Que nossas orações lhe rendam homenagem.
sábado, 10 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Tragedia em Niteroi: estamos pagando a conta da negligência
"Deus perdoa, a natureza não". Olho para as fotos da tragédia em Niterói e penso: por que? É simplesmente uma fatalidade ou parte desta tragédia' poderia ter sido evitada?
Ver as favelas crescendo por décadas, com os prefeitos, vereadores fechando os olhos para o caos urbano. Será que ninguém pensou que um dia, aquelas casas construidas sobre barrancos, sem sistema pluvial, sem sistema de esgoto, sem recolhimento de lixo...poderiam sofrer com uma chuva forte?
Deveriamos olhar pra trás, tomar nota de todos os prefeitos dos últimos 20 anos. Ai está o resultado da sua negligência. Neste momento, 200 pessoas podem ainda estar soterradas no Morro da Bumba em Niterói.
Ver as favelas crescendo por décadas, com os prefeitos, vereadores fechando os olhos para o caos urbano. Será que ninguém pensou que um dia, aquelas casas construidas sobre barrancos, sem sistema pluvial, sem sistema de esgoto, sem recolhimento de lixo...poderiam sofrer com uma chuva forte?
Deveriamos olhar pra trás, tomar nota de todos os prefeitos dos últimos 20 anos. Ai está o resultado da sua negligência. Neste momento, 200 pessoas podem ainda estar soterradas no Morro da Bumba em Niterói.
domingo, 4 de abril de 2010
Impressões sobre Munch
A arte como a religião pretende estar entre o material e o imaterial. E como também acontece com a experiência religiosa, a experiência da arte expande nossa consciência do mundo.
A arte de Munch despertou o influente mecenas Albert Kollman, justamente pela sua expressão mística. Aos olhos de Kollman, Munch transpassa o material e diz o que a alma intui.
A exposição sobre Munch hoje na Pinacothèque de Paris é um panorama bem montado sobre este pintor da Noruega que viveu entre 1863 e 1944 e é conhecido por um quadro: O Grito. Agora somos convidados a ir além do clichê reducionista e conhecer um artista com outras cores, outros temas.
Curioso pensar que Munch esteve em Paris para ver a exposição universal de 1889, a grande exposição da Torre Eiffel. Que grande Paris esta do século XIX, transbordando em riqueza, contrastes, uma cultura que nos marca ainda hoje.
O fato de a maioria das obras expostas terem vindo de coleções particulares, de uma certa forma ressalta que estamos vendo um Munch novo para o grande público. Dentre os colecionadores que abasteceram esta mostra, a família Epstein é um nome recorrente nos créditos. (Em 1990, uma exposição no National Gallery de Londres, com 94 impressões de Munch da Coleção Epstein)
Vendo as obras
Que viagem! Uma dos primeiros quadros que me chamou a atenção foi Jeune pecheur de Nice, um pastel pintado em 1891. A técnica do pastel é elaboradíssima. O efeito de sutileza e calma.
Sua visão da mulher também é interessante. Vários quadros representam o feminino em diferentes fases da vida; a virgem, a mãe, a anciã. Ou a virgem e a morte. Ou a mulher voluptuosa.
Uma série de litogravuras chamada Madone que ele fez entre 1895 e 1902 compõem um espectro de tons psicológicos femininos. Talvez o quadro de maior destaque na exposição seja o Nu pleurant; feminino, emocionante.
Embora longe dos movimentos artísticos que aconteciam em Paris, no fim do século XIX, Uma exposição em Berlin de Munch em 1892 provoca escândalo. A critica diz que seus quadros são rascunhos.
Pelo pouco que conheço dos nórdicos, meus preconceitos, traçam um povo frio, severo. Munch tem um olhar triste em Garçon de Warnemunde. pintado em 1907.
Um quadro em particular me lembrou Matisse pela sua composição diagonal e elementos um tanto gráficos. Um tapete em especial.
Melancolie de 1920, tem olhos negros e me remetem a tempos de grande turbulência na Europa. Talvez o momento da grande guerra.
Grandes artistas nos conectam com o real. Mergulhar neste intangível, usando as ferramentas de nossa razão e os olhos fecundos da imaginação.
Outras visões:
Edvard Munch et son rapport avec les femmes
Munch où la passion du tourment
A arte de Munch despertou o influente mecenas Albert Kollman, justamente pela sua expressão mística. Aos olhos de Kollman, Munch transpassa o material e diz o que a alma intui.
A exposição sobre Munch hoje na Pinacothèque de Paris é um panorama bem montado sobre este pintor da Noruega que viveu entre 1863 e 1944 e é conhecido por um quadro: O Grito. Agora somos convidados a ir além do clichê reducionista e conhecer um artista com outras cores, outros temas.
Curioso pensar que Munch esteve em Paris para ver a exposição universal de 1889, a grande exposição da Torre Eiffel. Que grande Paris esta do século XIX, transbordando em riqueza, contrastes, uma cultura que nos marca ainda hoje.
O fato de a maioria das obras expostas terem vindo de coleções particulares, de uma certa forma ressalta que estamos vendo um Munch novo para o grande público. Dentre os colecionadores que abasteceram esta mostra, a família Epstein é um nome recorrente nos créditos. (Em 1990, uma exposição no National Gallery de Londres, com 94 impressões de Munch da Coleção Epstein)
Vendo as obras
Que viagem! Uma dos primeiros quadros que me chamou a atenção foi Jeune pecheur de Nice, um pastel pintado em 1891. A técnica do pastel é elaboradíssima. O efeito de sutileza e calma.
Sua visão da mulher também é interessante. Vários quadros representam o feminino em diferentes fases da vida; a virgem, a mãe, a anciã. Ou a virgem e a morte. Ou a mulher voluptuosa.
Uma série de litogravuras chamada Madone que ele fez entre 1895 e 1902 compõem um espectro de tons psicológicos femininos. Talvez o quadro de maior destaque na exposição seja o Nu pleurant; feminino, emocionante.
Embora longe dos movimentos artísticos que aconteciam em Paris, no fim do século XIX, Uma exposição em Berlin de Munch em 1892 provoca escândalo. A critica diz que seus quadros são rascunhos.
Pelo pouco que conheço dos nórdicos, meus preconceitos, traçam um povo frio, severo. Munch tem um olhar triste em Garçon de Warnemunde. pintado em 1907.
Um quadro em particular me lembrou Matisse pela sua composição diagonal e elementos um tanto gráficos. Um tapete em especial.
Melancolie de 1920, tem olhos negros e me remetem a tempos de grande turbulência na Europa. Talvez o momento da grande guerra.
Grandes artistas nos conectam com o real. Mergulhar neste intangível, usando as ferramentas de nossa razão e os olhos fecundos da imaginação.
Outras visões:
Edvard Munch et son rapport avec les femmes
Munch où la passion du tourment
sexta-feira, 2 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Uma semana para ouvir Haydn
Nos longiquos idos dos anos 80, em Viena vi um grupo de pessoas a engraxar os sapatos dos passantes. A principio fiquei intrigada, poderia ser alguma ação promocional, marketing .. mas era apenas um gesto de humildade, uma celebração de Páscoa. Eu nunca tinha visto gente como eu, que pareciam ser como eu, se vestir como eu, estudar, trabalhar, enfim: viver uma vida mundana e burguesa, como eu, fazendo uma coisa sem propósito imediato evidente .. um choque. Foi um destes momentos inusitados que silenciosamente alteram nossa forma de ver o mundo.
Neste ano de 2010, lá estava eu a procura do desconhecido na biblioteca de música aqui em Paris e o acaso me fez cair nas mãos um cd de Joseph Haydn; "The seven last words of our savior on the cross".
Mais interessante sobre esta obra é que ela foi concebida como música instrumental. Haydn pensou cada sonata para funcionar como ambiente para o texto, de forma a criar a "mais profunda impressão até no ouvinte mais inexperiente". (carta ao editor William Forster em 8 de abril de 1787)
Minha caridade é modesta. Apenas uma intenção que se alegra ao achar um cd de Hadyn.
domingo, 14 de março de 2010
Fabrice Hadjadj, provocador de ideias
Um olhar inusitado sobre as verdades que nos povoam, principalmente as meias verdades! Assim eu descreveria minhas impressões da leitura de "La foi des démons. ou l'athéisme dépassé" de Fabrice Hadjadj. Uma subversão já se propõe pelo título, como assim; Fé de demonios? Sejamos nós crentes ou não, quem colocaria na mesma sentença estas duas palavras, em principio antagônicas? Ter fé, em si, já não é um atributo das pessoas do bem? Mas a vida é mais complexa e precisa ir além de uma linha. Seu entendimento dá voltas, percorre os nós de nossa mente.. o espírito crítico, como já exaltava Edith Stein, é um caminho mais firme à verdade.
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